Sou de cada um

Cada um pode dizer: "Padre Pio é meu". Eu amo tanto os meus irmãos de exílio. Amo os meus filhos espirituais do mesmo modo que a minha alma, e mais ainda. Eu os regenerei em Jesus na dor e no amor.
Posso esquecer de mim mesmo, mas não dos meus filhos espirituais; de fato, asseguro-lhes que quando o Senhor me chamará, eu lhe direi: Senhor, eu permaneço junto à porta do paraíso; entrarei quando tiver visto entrar o último dos meus filhos.

Pe. Pio

domingo, 30 de abril de 2017

Uma oração armênia de 900 anos a Cristo, Filho Único do Pai


De São Nersés Snorhali, o patriarca "repleto pela Graça"

São Nersés Snorhali, que viveu entre 1102 e 1173, foi patriarca da Armênia de 1166 até a morte. Seu epíteto “Snorhali” quer dizer “repleto pela Graça” e lhe foi dado por causa da qualidade dos seus escritos. Eis um dos seus textos mais belos:

Filho Único do Pai

São Nersés Snorhali
Como o rico que amava a vida de prazeres,
Eu amei os prazeres efémeros,
Com este meu corpo animal,
Nos prazeres insensatos. […]
E, de tantas benfeitorias
Que me deste gratuitamente,
Não Te devolvi o dízimo
Que de Ti tinha recebido.
Mas tudo o que estava sob o meu tecto
Feito de terra, ar e mar,
As Tuas benfeitorias inumeráveis,
Pensava que eram propriedade minha.
De tudo isso nada dei ao pobre
E para as suas necessidades nada pus de lado:
Nem comida, para o esfomeado
Nem roupa, para o corpo nu.
Nem abrigo, para o indigente,
Nem morada, para o hóspede estrangeiro,
Nem visitei os doentes,
Nem cuidei dos prisioneiros (cf. Mt 25,31 em diante).
Não me entristeci com a tristeza
do homem triste, por causa do que lhe pesava;
Nem partilhei a alegria do homem feliz
Mas ardi de inveja dele.
Todos eles são outros Lázaros […]
Que jazem à minha porta. […]
Quanto a mim, surdo ao seu apelo,
Não lhes dei as migalhas da minha mesa. […]
Lá fora, pelo menos, os cães da Tua lei
consolavam-nos com a língua;
E eu, que ouvia o Teu mandamento,
Com a língua feri aquele que se Te assemelhava (cf. Mt 25,45). […]
Mas dá-me aqui na terra arrependimento,
Para que faça penitência pelos meus pecados. […]
Para que as minhas lágrimas parem
A fornalha ardente e as suas chamas. […]
E, em vez da conduta de um homem sem misericórdia,
Estabelece, no mais fundo de mim, a piedade misericordiosa,
Para que, ao praticar a misericórdia com o pobre,
Eu possa obter misericórdia.

http://pt.aleteia.org/2017/04/26/uma-oracao-armenia-de-900-anos-a-cristo-filho-unico-do-pai/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt 

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Rituais satânicos em clínicas de aborto: um ex-satanista abre o jogo


As revelações estarrecedoras do ex-adepto da Igreja Mundial de Satanás que, aos 15 anos de idade, já tinha violado todos os 10 Mandamentos – inclusive o de “não matar”


Em 2015, veio à luz (mais) um grande escândalo envolvendo a organização abortista norte-americana Planned Parenthood, uma rede de clínicas de aborto que recebia vasto financiamento do governo dos Estados Unidos: naquele ano, uma série de vídeos gravados com câmeras ocultas desmascararam um repugnante esquema de tráfico de órgãos e tecidos dos bebês abortados pela organização.

Saiba mais a respeito desse escândalo nestes dois artigos:

Nesse contexto, o também norte-americano Instituto Lepanto, voltado à pesquisa e educação católica, entrevistou o ex-satanista Zachary King, que tinha chegado a praticar abortos ritualísticos antes de se converter ao catolicismo. Zachary começou a se envolver com a magia aos 10 anos de idade, entrou na seita satânica aos 13 e, aos 15, já tinha infringido todos os 10 Mandamentos – inclusive o quinto, “não matar”.
Confira a seguir uma tradução dessa entrevista estarrecedora, cuja íntegra em inglês você pode ler no site do Lepanto Institute.

Lepanto Institute – Zac, você poderia nos contar um pouco sobre como entrou no satanismo?

Zachary King – Começou com uma curiosidade forte de saber se a magia era uma coisa real. Isso veio depois de assistir a alguns filmes de bruxos e magos na década de 1970, na minha infância. Nós fazíamos uma brincadeira na escola chamada “Bloody Mary”, ou “I Hate You, Bloody Mary”: você entrava num banheiro e cantava essa frase um certo número de vezes com as luzes apagadas. Toda vez que a minha turma fazia isso, a gente via um rosto demoníaco no espelho. Não tínhamos ideia do que estávamos olhando, só sabíamos que aquela coisa assustadora estava no espelho e todo mundo saía correndo, morrendo de medo… menos eu. Eu sempre achei aquilo muito legal. Na mesma época eu jogava o “Dungeons and Dragons” todo fim de semana, e eu era sempre o mago ou feiticeiro [Nota: trata-se de um RPG, ou jogo de interpretação de papéis, que mais tarde deu origem ao desenho animado de mesmo nome, conhecido no Brasil como “Caverna do Dragão”. É a história de um grupo de crianças que ficam presas em outra dimensão, semelhante a um pesadelo, repleta de criaturas demoníacas: toda vez que estão prestes a escapar daquele mundo de horror, ocorre algo que os mantém ainda presos àquela dimensão assustadora]. Eu me perguntava se poderia fazer magia de verdade e tentei dois feitiços para ganhar dinheiro. Deu certo, mas podia ser só coincidência; aí eu fiz de novo, e, nessa terceira vez, lá estava eu no banheiro, sozinho, na frente do demônio, para ver o que iria acontecer. No dia seguinte eu ganhei 1.000 dólares. A partir daquele momento eu fiquei convencido de que a magia era real.
Quando eu tinha uns 12 anos, um amigo me apresentou a um grupo que jogava “Dungeons and Dragons”. Eles também achavam que a magia era real. Depois eu descobri que esse grupo era uma seita satânica (…) Eu adoro pinball, vídeo games e ficção científica, Star TrekStar Wars, e aqueles caras tinham quase todos os filmes de ficção científica e fantasia que você podia querer. Eles tinham máquinas de pinball, piscina, uma churrasqueira grande, era quase um clube de meninos e meninas e era muito divertido. Eles sabiam recrutar. Eles sabiam tudo o que um garoto gostava de fazer e foi assim que eu fui me envolvendo naquilo.
Fiquei nesse grupo até os 18 anos e entrei para a Igreja Mundial de Satanás, que é uma seita muito maior, internacional. A posição que eu alcancei é chamada de “alto mago” (“high wizard”). Numa grande seita satânica, os altos magos são as pessoas que fazem a magia. Podia ter só um ou até dez. O número médio é de 2 a 5 e o nosso trabalho era viajar pelo mundo fazendo os feitiços que as pessoas quisessem. Quando eu digo “as pessoas”, eu me refiro a astros do rock, do cinema, políticos, gente rica… Não tem limite quem quer um feitiço e quanto eles topam pagar.

LI – Então, você era um “alto mago” dentro do satanismo… Resumindo, como você chegou a isso?

King – Dizem que os “altos magos” são escolhidos a dedo por Satanás. Eu não sei qual é o critério. Eu praticava a magia desde os 10 anos de idade e virei “alto mago” quando tinha uns 21. Já era membro da Igreja Mundial de Satanás fazia uns 3 anos. Eu já tinha visto um “alto mago” quando era criança, mas não sabia que era isso o que ele era. O visual é bem peculiar, chapéu alto, bastão ou bengala, o rosto pintado como um cadáver, um casaco de tipo tradicional (…) Existe [na seita] um chefe e um conselho. Eles chamam você e dizem que você foi escolhido. Você recebe um livro que diz quais são os seus deveres como “alto mago” e você decide se quer ou não, mas eu nunca soube de ninguém que tenha recusado. Eu fui [“alto mago”] durante uns 10 ou 12 anos.

LI – Qual é o papel do aborto nos rituais satânicos e quando você começou a se envolver com o aborto no satanismo?

King – Logo depois que eu fiz 14 anos, os membros da seita me disseram que eu ia participar de um aborto dali a 9 meses. Tivemos uma orgia em que participaram todos os garotos da seita de 12 a 15 anos e uma garota de 18, que também era da seita. Ela tinha que ficar grávida para depois fazer o aborto. Quando eles disseram isso, eu falei “maneiro”, em voz alta, mas não tinha ideia do que era um aborto. Na minha família eu acho que tinha ouvido os meus pais sussurrarem essa palavra uma vez só, por isso eu achava que era uma palavra suja. Quando perguntei aos membros da seita o que era o aborto, falei que não sabia o que tinha que fazer. Eles me explicaram que ia ter um bebê dentro do útero e que a gente ia matá-lo. Ia ter um médico e uma enfermeira lá para ajudar, porque era um procedimento médico. Eu perguntei: “Isso é legal?”. E a resposta foi: “É, quando ele ainda está no útero. Enquanto o bebê estiver dentro da mulher você pode matá-lo”.
Foi assim que eles explicaram para nós. Também explicaram que “você está matando um bebê”. Eles não disseram que é matar “um feto” ou matar “umas células em um corpo”. Nada disso. É um bebê.
Eu acho que não teria concordado em matar um bebê fora do corpo de uma mulher, mas, sabendo que podia matar à vontade se ele estivesse dentro do corpo… No satanismo, matar algo ou a morte de algo é o jeito mais eficaz de realizar um feitiço. Para conseguir de Satanás alguma coisa que você quer, o melhor jeito é matar algo. Matar é a máxima oferta a Satanás, e, se você pode matar um bebê que ainda não nasceu, este é o seu objetivo máximo.

LI – Fale do primeiro aborto que você fez como ritual satânico.

King – O primeiro que eu fiz foi mais ou menos 3 meses antes de completar 15 anos. Foi numa chácara que me surpreendeu porque era muito mais limpa do que muitas clínicas onde eu fiz outros abortos. Tinha um médico e uma enfermeira abortista. A grávida já estava no fim da gestação e estava cercada por 13 dos principais membros da nossa seita, que eram todos “altos sacerdotes” e “altas sacerdotisas”. Eu estava dentro do círculo com a mulher e o médico. Todos os adultos da minha seita estavam lá. Várias mulheres ficavam ajoelhadas no chão, se balançando para trás e para frente e cantando o tempo todo a frase “Nosso corpo e nós mesmas”. Do lado estavam vários membros masculinos da seita, todos cantando e “rezando”. O ritual começou às 23h45 e o feitiço começou à meia-noite, que é a hora da bruxaria, e a morte da criança aconteceu às 3h00 da manhã, que é chamada de “hora do diabo”.
O meu papel naquilo tudo foi inserir o bisturi. Eu não tinha necessariamente que matar… O importante era ficar com sangue nas minhas mãos, da mulher ou do bebê, e depois o médico terminava o procedimento. Naquele, em particular, que provavelmente foi um dos abortos mais hediondos de que eu já participei, o médico arrancou o bebê e o jogou no chão, lá onde as outras mulheres ficavam balançando o corpo para frente e para trás. Elas pareciam que estavam possuídas, e, quando o médico jogou o bebê no chão para elas, elas o comeram, como canibais.

LI – Deus do Céu! De quantos rituais de aborto você participou?

King – Antes de virar “alto mago”, eu fiz cinco. Depois, participei de mais 141.

LI – Você já fez ritual de aborto em alguma clínica renomada?

King – Fiz. Eu estimaria que fiz uns 20 rituais de aborto dentro dessas instalações, mas nunca fiz a conta exata. Só sei que estive num monte delas (…) Algumas pareciam casas de horrores, com sangue por todo lado, algumas salas até com sangue no teto.

LI – Como foi que convidaram você a fazer abortos satânicos nessas clínicas renomadas?

King – Sendo “alto mago”, você é o cara da seita satânica que comparece, então a maioria das pessoas vai chamar alguém que elas conhecem daquela seita ou vão chamar porque nós fizemos um monte de trabalhos com os Illuminati também. Aí elas vão chamá-los. Obviamente, pessoas que têm que estar a par dessas coisas, mas você é convidado para participar. A Igreja Mundial de Satanás não é a única organização que faz sacrifícios satânicos nessas clinicas. Há outras organizações de feitiçaria, como os wiccanos, que estão realmente envolvidas em abortos dentro dessas instalações. Você às vezes é convidado a fazer o ritual de aborto pelo próprio diretor do estabelecimento ou por algum gerente de nível mais alto, ou, às vezes, o médico é satanista e convida você para participar do aborto, ou querem fazer uma cerimônia no final do dia.
Mas no final do dia, todos os dias, os grupos satânicos fazem um tipo de missa negra, geralmente perto da meia-noite, que dura cerca de 2 ou 3 horas, em que eles oferecem a Satanás todos os bebês que foram mortos naquele dia. Não importa qual foi a razão das mulheres que optaram pelo aborto: todos os bebês [abortados] são dedicados a Satanás no final do dia.

LI – O que acontece nesses rituais de aborto?

King – Há crianças que participam, mas elas geralmente não ficam na sala quando o aborto é feito. Elas ficam numa sala separada e acontece uma competição para ver quem delas consegue ficar acordada até as 3 da manhã. Quem consegue ganha um prêmio. Os homens que não fazem parte do grupo dos 13 principais da seita ficam fazendo feitiços e cantando. Eles também lançam feitiços para se “proteger” de qualquer pessoa que possa estar rezando por eles, como um cristão que esteja rezando por eles. Além disso, nós pagamos pela nossa proteção, a políticos ou policiais, então sabemos que ninguém vai nos investigar naquele momento. Já os 13 principais da seita ficam rodeando a mulher que vai abortar; são eles que presidem o ritual.
Uma vez foi o prefeito de uma cidade quem pediu um feitiço. Ele nos procurou porque queria passar uma lei em sua cidade que já tinha tentado duas ou três vezes e não passava. Ele tinha sido membro da seita durante um tempo. Tinha tentado a aprovação por todas as vias legais e nunca deu certo, então ele procurou alguém que topasse fazer o aborto numa noite em que nós pudéssemos fazer o aborto e o feitiço ao mesmo tempo. Geralmente, numa seita de cidade pequena, que era o caso, estão todos presentes. Já num lugar maior, como quando eu era membro da Igreja Mundial de Satanás, vão o “alto mago”, as pessoas que querem o feitiço, o médico, a enfermeira. Muitas vezes, nas clínicas renomadas de aborto, tem muita gente lá, porque muitos que trabalham nesses lugares são bruxos ou satanistas. Então você encontra bastante gente lá que está disposta a participar do ritual satânico.

LI – Você diria que as clínicas renomadas de aborto atraem ocultistas por causa da oportunidade de fazer rituais de aborto?

King – Eu diria que sim, que esta afirmação é absolutamente verdadeira. Você tem as pessoas que pertencem à NOW [National Organization of Women, ou seja, Organização Nacional de Mulheres, nos EUA] e muitas dessas pessoas são da wicca, e há pessoas da wicca, embora professem uma postura de preservação da vida, que se veem autorizadas a “alvejar” quem é de alguma forma contra elas, ou seja, destruí-las pelos meios necessários, o que, para eles, é através da magia. Por exemplo, como cristãos, nós rezamos pela conversão deles. Bom, eles entendem isso como uma temporada de caça aos cristãos. Eles também veem a figura feminina, a mulher, como a Mãe Terra, ou Gaia. Eles têm uma figura feminina que eles adoram como a deusa; a criança vem dela e por isso o aborto é um sacramento satânico, por assim dizer. Então, assim como um homem católico entra no sacerdócio porque é atraído para a santidade e para servir a Deus, uma clínica abortista vai atrair satanistas para o “sacerdócio satânico”.

LI – Você já sentiu algum tipo de incapacidade para completar um aborto ou para conseguir os efeitos do seu ritual por causa das pessoas que rezam do lado de fora das clínicas?

[Nota: nos EUA e em outros países que permitem o aborto, é frequente que grupos cristãos se reúnam diante de clínicas abortistas para rezar a Deus pedindo que proteja e salve os bebês e converta os promotores do aborto]
King – Mais de uma vez houve bebês que desafiaram os procedimentos e sobreviveram ao aborto. Uma vez, eu cheguei à clínica de aborto e havia pessoas nos dois lados da rua. De um lado, pessoas rezando e clamando contra o aborto, e, no lado em que eu estava, pessoas pró-aborto gritando todo tipo de obscenidade contra o outro grupo. Quando entramos, olhamos para a rua de novo e vimos todas aquelas pessoas rezando de joelhos. Naquele dia, o aborto que tínhamos programado para um ritual não deu certo. Eu acho que isso me aconteceu umas três vezes, e… todas as três… é curioso, mas eu nunca tinha me tocado que aqueles três abortos que não deram certo só pode ter sido por causa das orações que eles estavam fazendo lá fora.

LI – Que conselho você daria às pessoas que rezam diante das clínicas de aborto, especialmente se elas suspeitam de ocultismo lá dentro?

King – Em primeiro lugar, não parem! Não tem nada que aconteça dentro daquela clínica que possa atingir vocês. É claro que tem demônios ali ao redor, mas vocês têm que pensar que Satanás é como um cachorro preso na coleira: se você não se aproximar dele, ele não vai conseguir morder. Esteja em estado de graça quando você for lá. Leve uma garrafinha de água benta. Não jogue a água benta nas pessoas que estão lá, ou que estão lá do lado contrário, porque você vai parar no fórum. Essa gente vai aproveitar qualquer mínima bobagem para processar você. Se você puder receber a Santa Comunhão antes de ir até lá, é o ideal. Se você for à Missa nesse dia, fique uns minutos depois da Missa pedindo a Jesus para enviar Nossa Senhora com você. Leve um terço e nocauteie o diabo com ele. Existem coisas que dão medo no diabo, mas, principalmente, ele tem medo de um católico bem formado, um católico que entende a sua fé e que sabe o que é a guerra espiritual. Ele não quer brigar com quem está de armadura completa.

Nota do Instituto Lepanto:

Em janeiro de 2008, quando trabalhava em um quiosque de venda de joias, Zachary teve um encontro com Nossa Senhora que mudou a sua vida. No meio do shopping, graças ao poder da Medalha Milagrosa, Zachary experimentou uma paz que supera todo entendimento. Aquela paz era Jesus Cristo, o Príncipe da Paz. Zachary começou a frequentar a igreja de São Francisco Xavier, em Vermont, e, em maio de 2008, mês de Maria, ele entrou oficialmente para a Igreja Católica. Depois de 26 anos envolto no ocultismo, Zachary King se tornou guerreiro de Cristo e quer compartilhar o seu testemunho para proteger o povo de Deus, mostrando que a misericórdia e o perdão divinos são imensos e que o amor de Deus por nós é infinitamente profundo. Zachary, que vive atualmente na Flórida com sua esposa, é conferencista internacional e faz questão de relatar a história do milagroso resgate que o arrancou das garras do satanismo.
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O que eu sofri me faz ser quem eu sou


Quero que me vejam como eu sou. E me amem assim

Nós nos reconhecemos por nossas feridas. O que me fez doer no mais profundo fez-me ser quem sou. Mas as minhas feridas me assustam. E eu as tapo. Creio que elas já me causaram bastante sofrimento. Por isso, cubro-me.
Porém, este homem sem feridas não sou eu. Na verdade, quero que me vejam como eu sou e me amem assim. É desta forma que Deus me vê e me ama.
Jesus me mostra as marcas Dele. É Ele. Ferido, porque soube assumir todo o seu amor. Não chegou a todos, nem todos o compreenderam, não queriam ouvir outras formas de fazer as coisas. Ele não curou todo mundo. Os mais sábios não o amaram.
Ele se sentiu impotente, sozinho, abandonado na sua mais profunda verdade. Alguns os procuraram por causa de seus milagres e, depois, o deixaram. Essas feridas são as que ficaram em Jesus. Junto com a dor de deixar seus amigos e sua mãe, com quem compartilhava tudo.
Ele deixou de olhar para o lago e caminhou pela terra. As provocações, a indiferença. A necessidade da ajuda dos amigos na cruz. O pranto da mãe. O desejo de que os seus estivessem perto. A preocupação em deixá-los sozinhos. A dor física. As feridas. Os pregos. O peito aberto.
Tanto amor que Ele deixou nesta terra…Tantas pessoas que ficaram órfãs. As feridas foram profundas. A dor pela negação de um amigo, pela traição de outro, pelos gritos de tantos, pelo silêncio de muitos. Os pregos. A lança.
Ele amou tanto aqueles homens… Olhou com olhos humanos. Acariciou e sustentou corações com mãos de carne – agora atravessadas. Caminhou ao lado de homens de todas as condições. Sorriu, amou, desejou, sonhou, recordou, teve medo, temeu perder seus entes queridos.
Ele se encarnou para sempre para me compreender, para me levar ao céu, para dar sentido às minhas perguntas. E para me mostrar um amor incondicional e gratuito que foi criado em meu coração. Um amor sem medida, como o que Ele mostrou em sua vida e em sua morte.
E agora, em sua ressurreição, ele volta para mim. Não me deixa. Fica comigo. Mostra suas feridas, para que eu o reconheça. É Ele. Só pode ser Ele. Não é um fantasma. É quem viveu e morreu por mim. Agora, está vivo ao meu lado.
Ele sabe que sem Ele eu não posso ficar. Sabe que preciso dele, que sou feito para a vida e para a alegria. Para a plenitude. Por isso, Ele se coloca no meio da minha vida, porque tenho medo. Ele me mostra suas feridas, suas provas de amor.
Para quem eu mostro minhas feridas? Quem sou eu? Qual é o nome de minhas feridas?
Jesus me ensina que minha dor, minhas carências, meus medos e minhas faltas de amor são marcas que me fazem ser quem eu sou.
E, de onde ele está, Jesus vem me dizer que me ama. Que tudo tem um sentido. Que ele já carregou minha dor, que há amou. Que eu não estou sozinho no caminho. Que Ele já o percorreu antes. Que morreu por mim e agora continua vivo para voltar a caminhar ao meu lado.

http://pt.aleteia.org/2017/04/27/o-que-eu-sofri-me-faz-ser-quem-eu-sou/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

INTRODUÇÃO AO CURSO DE SÃO JOÃO DA CRUZ

quinta-feira, 27 de abril de 2017

As duas mães

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São Pio de Pietrelcina foi um dos maiores santos do século XX. Foi um sacerdote piedoso, lutou contra o demônio, recebeu os estigmas e sua vida comoveu tantas pessoas que mais de 100 mil fiéis participaram de seu funeral.
Mas você sabia que ele teve uma visão mística momentos antes de sua morte?
Depois de ter celebrado com dificuldades sua última missa no dia 22 de setembro de 1968, o santo de 81 anos teve um colapso deixando a Igreja. Então, seus irmãos franciscanos o ajudaram e o levaram até sua cama.
Depois de meia-noite, se confessou pela última vez e renovou seus votos franciscanos. Estava tão débil que mal conseguia falar, mas foi capaz de repetir as palavras “Jesus, Maria” enquanto segurava seu terço.
Então, por volta de 2:30h da manhã de 23 de setembro melhorou um pouco. O santo que viveu numerosas experiências sobrenaturais durante sua vida, aparentemente viu algo ao seu redor, mas ninguém via nada de especial.
Padre Pio conseguiu dizer “Vejo duas mães. Maria…” e então morreu.
O que ele viu exatamente?
A respeito das “duas mães”, há poucas explicações. Ele poderia ter querido dizer que estava vendo a Virgem Maria, sua mãe espiritual, e sua mãe biológica. A Igreja também é “Mãe”, por isso que não está claro do que se tratava aquela visão.
E enquanto parece óbvio que sua última palavra, “Maria”, faz referência a Mãe de Deus, sua mãe biológica também se chamava Maria, pode-ser que também tenha se referido a ela.
De qualquer maneira, não é estranho um homem cuja vida esteve cheia de situações sobrenaturais, como seus famosos estigmas, termine sua vida terrena com uma visão mística.

São Padre Pio, rogai por nós!

sábado, 22 de abril de 2017

Riqueza e presunção

Não confies em tua riquezas
e não digas: "Sou auto-suficiente."
Não deixes teu desejo e tua força te arrastarem indo atrás das paixões do coração.
Não digas: "Quem tem poder sobre mim?"
porque o Senhor que pune, punirá.
Não digas"Pequei: o que me aconteceu?"
porque o Senhor é paciente.
Não seja tão seguro do perdão 
para acumular pecado sobre pecado.
Não digas: "Sua misericórdia é grande para perdoar meus inúmeros pecados."
Porque há nele, misericórdia e cólera e sua irá pousará sobre os pecadores.
Não demores a voltar para o Senhor
E não adies de um dia para o outro,
Porque de repente, a cólera do Senhor virá
E no dia do castigo perecerás.
Não confies nas riquezas injustas,
Porque não te servirão para nada no dia da desgraça

Eclesiático 5, 1-8 - Bíblia de Jerusalém

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Desafio da Baleia Azul: mais um fruto podre colhido pela cultura da morte


Assim como as árvores sem raízes, as pessoas sem identidade podem ser derrubadas com bem menos esforço

A “cultura da morte” é denunciada com ênfase e força pela Igreja desde sempre, mas, sob este nome em particular, a denúncia ganhou novo impulso no pontificado de São João Paulo II.
Foi ele quem cunhou esse termo para se referir à crescente “naturalidade” com que governos e sociedades estão propondo e praticando o extermínio de seres humanos, tanto por meio de guerras assassinas que tentam se justificar com as mais hipócritas e esfarrapadas “argumentações” quanto mediante um sem-fim de absurdos apresentados sob o disfarce de “direitos humanos”, como o aborto, a eutanásia, o suicídio assistido e até mesmo o infanticídio, além dos disfarces de “progresso científico” para maquiar práticas eugenistas e excludentes de todo tipo, inclusive contra pessoas com muito alto potencial de autonomia, caso das que nascem com a Síndrome de Down.
Não houve século incólume a essa “cultura”, mas o século XX, talvez pela maior facilidade de documentá-lo, foi notoriamente marcado pela sua sombra devastadora: duas guerras mundiais, uma vasta quantidade de guerras civis, os milhões de mortos pelo nazismo e pelo comunismo, genocídios contra vários povos como, por exemplo, os armênios, ucranianos, cambojanos e ruandeses, as guerrilhas e regimes ideológicos repressores tanto de esquerda quanto de direita, o terrorismo institucionalizado, as ações cada vez mais virulentas das máfias internacionais e das organizações de narcotráfico… e um longo etcétera, já que a lista é assustadoramente ampla.
Formas mais “sutis” da cultura da morte, se é que pode haver sutileza em matar pessoas, penetraram nos ambientes acadêmicos para defender uma alegada “relatividade” da vida humana ao sabor das conveniências do egoísmo adulto.
Entre outros frutos podres que a sociedade colhe das próprias sementes, surgiu agora mais uma pavorosa ameaça, que leva adolescentes e jovens a flertarem com o suicídio disfarçado de “jogo”: o fenômeno conhecido como o “desafio da baleia azul“.
Trata-se de um suposto “jogo” em que os participantes, admitidos em grupos secretos espalhados pelas redes sociais, devem realizar uma série de “tarefas” impostas pelos autodenominados “curadores” de cada grupo: os desafios variam de atos de automutilação até o suicídio como tarefa (obviamente) derradeira. Por mais absurdo que soe, já são muitos os adolescentes e jovens de todos os continentes que se viram envolvidos nessa armadilha quase sem volta – já que os “curadores” passam a fazer ameaças contra a família dos jovens que tentam sair desses grupos de horror.
Conforme notava Durkheim, a erosão das estruturas primárias da sociedade, em especial a família, tornam o suicídio corriqueiro, normal e, agora, “lúdico”.
Não é casual que a família natural tem sido o alvo predileto de uma vasta e arraigada guerra ideológica determinada a relativizar este conceito e seu conteúdo ao extremo.
Assim como as árvores sem raízes, as pessoas sem identidade podem ser derrubadas com bem menos esforço.

A propósito desse diabólico desafio da “baleia azul”, não deixe de conferir as reflexões do bispo brasileiro dom Leomar Brustolin, auxiliar de Porto Alegre, RS. Seus comentários podem ser acessados neste artigo.

Jogo da Baleia Azul

Resultado de imagem para jogo da baleia azul

 "Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10)  


Prezados Pais e/ou Responsáveis,  

Nas últimas semanas, dois assuntos têm chamado a atenção de crianças e adolescentes e gerado discussões entre formadores de opinião em jornais, sites e redes sociais no Brasil e no mundo: a série “13 Reasons Why”, da Netflix, e o jogo Baleia Azul (Blue Whale). Especialistas chamam a atenção para o modo como a série e o jogo podem estimular comportamentos negativos, até mesmo o suicídio, especialmente entre os jovens que mais precisam de cuidados psicológicos.  
Como uma rede de escolas voltada para a educação e o bem-estar de milhares de jovens, achamos importante alertar as famílias e reunir informações para que nossos alunos e alunas tenham a orientação e o acompanhamento necessários.  - Baleia Azul  
O “Baleia Azul” (Blue Whale) consiste em um jogo clandestino no qual são dadas uma série de instruções que agridem, fragilizam e induzem os participantes a tirarem a própria vida. O jogo teve início na Rússia e rapidamente se espalhou na internet, já tendo várias ocorrências registradas no Brasil. Trata-se de uma quadrilha que alicia crianças e jovens e os levam a atos perigosos, sob o disfarce dos 50 desafios do jogo. Segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, que está investigando a rede criminosa, os participantes aceitam o convite para o jogo no Facebook, passam seus dados pessoais e de familiares, e recebem, posteriormente, as orientações por Whatsapp.  Os desafios, que devem ser gravados e enviados aos membros do grupo, vão aumentando, gradativamente, os riscos. Começam mais fáceis, como “acordar em horários específicos da noite” ou “assistir a filmes de terror” e ordenam, na fase final, a automutilação e o suicídio. As tarefas chegam durante a madrugada, a fim de não chamarem a atenção dos pais. Se mostrar sinais de resistência ao cumprimento das provas, o jogador tem a sua família ameaçada.  Algumas recomendações importantes:  
- Informar aos filhos a existência do jogo da Baleia Azul e seus perigos.  - Instruir os filhos a não adicionarem estranhos nas redes sociais. - Monitorar o uso de smartphones e redes sociais.  - Restringir o uso da internet em determinados horários. - Estar presente nos pátios virtuais e acompanhar o que o filho está fazendo.  - Ficar atento a qualquer mudança radical no comportamento de crianças e adolescentes. - Acolher os filhos e conversar sempre que notar neles algum desconforto.  

- 13 reasons why  
13 reasons why (Os treze porquês) é uma série americana disponível gratuitamente aos assinantes do serviço de streaming Netflix. A série gira em torno de uma estudante que se mata 
após uma série de agressões sofridas dos colegas no ambiente escolar. Antes de tirar a própria vida, ela grava fitas de cassete explicando para treze pessoas como elas desempenharam um papel na sua morte: os treze motivos.  
Profissionais da área de Psicologia têm alertado que a série, embora tenha valores contra o bullying, não toma os cuidados adequados para tratar do tema. Existiria, na lógica da trama, uma ideia romântica do suicídio como alternativa e vingança contra opressões individuais. Também foram criticadas a presença de cenas de estupro e a encenação detalhada do suicídio da protagonista. Segundo informações do Centro de Valorização da Vida, que fornece apoio emocional e prevenção ao suicídio, os contatos por e-mail multiplicaram-se desde a estreia da série no dia 31 de março.  Algumas recomendações importantes: 
- A série tem classificação indicativa de 18 anos. Menores devem assisti-la acompanhados dos pais ou responsáveis. Caso seu filho esteja assistindo, é essencial que você o acompanhe.   - É importante conversar com os jovens e aprofundar as questões abordadas. Quais são as generalizações da série? Qual outra alternativa a protagonista poderia ter escolhido? Como ajudar um colega que sofre agressões na escola?  - É preciso ressaltar, sempre, que a vida é um dom divino e precioso, e que a depressão é uma doença passível de tratamento e cura.  

Com a certeza de que o amor educativo é sempre o melhor caminho para cuidarmos da saúde física, espiritual e mental da nossa juventude, pedimos as bênçãos de Dom Bosco e Madre Mazzarello sobre todas as nossas famílias.  

Abraços fraternos,  

Direção da Rede Salesiana Brasil de Escolas 

domingo, 16 de abril de 2017

O LENÇO DOBRADO



  Por que Jesus dobrou o lenço que cobria sua cabeça no sepulcro depois de sua ressurreição?
Eu nunca havia detido minha atenção a esse detalhe.  
Em João 20:7 -  nos conta que aquele lenço que foi colocado sobre a face de Jesus, não foi apenas deixado de lado como os lençóis no túmulo.  A Bíblia reserva um versículo inteiro para nos contar que o lenço fora dobrado cuidadosamente e colocado na cabeceira do túmulo de pedra.

Bem cedo pela manhã de domingo, Maria Madalena veio à tumba e descobriu que a pedra havia sido removida da entrada. Ela correu e encontrou Simão Pedro e outro discípulo, aquele que Jesus tanto amara (João)  e disse ela:  "Eles tiraram o corpo do Senhor e eu não sei para onde eles o levaram."

Pedro e o outro discípulo correram ao túmulo para ver. O outro discípulo passou à frente de Pedro e lá primeiro chegou. Ele parou e observou os lençóis, mas ele não entrou. Então Simão Pedro chegou e entrou. Ele também notou os lençóis ali deixados, enquanto o lenço que cobrira a face de Jesus estava dobrado e colocado em um lado. 

Isto é importante? Definitivamente.  
Isto é significante? Sim.  
Para poder entender a significância do lenço dobrado, você tem que entender um pouco a respeito da tradição Hebraica daquela época.
 O lenço dobrado tem que a ver com o Amo e o Servo;  e todo menino Judeu conhecia a tradição.  
Quando o Servo colocava a mesa de jantar para o seu Amo, ele buscava ter certeza em fazê-lo exatamente da maneira que seu Amo queria.  
A mesa era colocada perfeitamente e o Servo esperaria fora da visão do Amo até que o mesmo terminasse a refeição. O Servo não se atreveria nunca tocar a mesa antes que o Amo tivesse terminado a refeição.

Se o Amo tivesse terminado a refeição, ele se levantaria, limparia seus dedos, sua boca e limparia sua barba e embolaria seu lenço e o jogaria sobre a mesa. Naquele tempo o lenço embolado queria dizer: "Eu terminei".  

Eu não sabia a respeito.  
Se o Amo se levantasse e deixasse o lenço dobrado ao lado do prato, o Servo não ousaria em tocar a mesa porque o lenço dobrado queria dizer:  
"Eu voltarei!"  
Ele está voltando! O recado nos foi dado claramente!  
Oro para que você seja abençoado com a paz e a alegria em saber que Ele está voltando e isso pode ser muito breve.  
Esteja pronto, preparado!  
Deus abençoe a todos vocês que crêem!  
PS.: Viu como Jesus também usou as "tradições" para passar algum recado ou ensinar algo?  
Melhor meditado em João 20, 7

sábado, 15 de abril de 2017

Por que jejuar?

Ainda tem sentido, nos nossos dias, fazer jejum? Que valor tem para nós, cristãos, privar-nos de algo que seria em si bom e útil para o nosso sustento? Este artigo oferece reflexões sobre o porquê do jejum, uma tradição da Quaresma.
Opus Dei - Por que jejuar?

Uma das três “práticas penitenciais”
A Quaresma, um caminho de treino espiritual mais intenso, propõe-nos três práticas penitenciais muito queridas à tradição bíblica e cristã – a oração, a esmola, o jejum – a fim de nos predispormos para celebrar melhor a Páscoa e deste modo fazer experiência do poder de Deus que, como ouviremos na Vigília pascal, «derrota o mal, lava as culpas, restitui a inocência aos pecadores, a alegria aos aflitos. Dissipa o ódio, domina a insensibilidade dos poderosos, promove a concórdia e a paz» (Precônio pascal).
JESUS SE PREPAROU PARA A SUA MISSÃO REZANDO E JEJUANDO
Gostaria de refletir em particular sobre o valor e o sentido do jejum. De fato a Quaresma traz à mente os quarenta dias de jejum vividos pelo Senhor no deserto antes de empreender a sua missão pública. Lemos no Evangelho: «O Espírito conduziu Jesus ao deserto a fim de ser tentado pelo demônio. Jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome» (Mt 4, 1-2). Como Moisés antes de receber as Tábuas da Lei (cf. Êx 34, 28), como Elias antes de encontrar o Senhor no monte Oreb (cf. 1 Rs 19, 8), assim Jesus rezando e jejuando se preparou para a sua missão, cujo início foi um duro confronto com o tentador.
"Man of Sorrows", William Dyce."Man of Sorrows", William Dyce.

No Paraíso também se jejuava
Podemos perguntar que valor e que sentido tem para nós, cristãos, privar-nos de algo que seria em si bom e útil para o nosso sustento. As Sagradas Escrituras e toda a tradição cristã ensinam que o jejum é de grande ajuda para evitar o pecado e tudo o que a ele induz. Por isto, na história da salvação é frequente o convite a jejuar.
QUE VALOR E QUE SENTIDO TEM PARA NÓS PRIVAR-NOS DE ALGO QUE SERIA EM SI BOM E ÚTIL?
Já nas primeiras páginas da Sagrada Escritura o Senhor comanda que o homem se abstenha de comer o fruto proibido: «Podes comer o fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas o da árvore da ciência do bem e do mal, porque, no dia em que o comeres, certamente morrerás» (Gn 2, 16-17). Comentando a ordem divina, São Basílio observa que «o jejum foi ordenado no Paraíso», e «o primeiro mandamento neste sentido foi dado a Adão». Portanto, ele conclui: «O “não comas” e, portanto, a lei do jejum e da abstinência» (cf. Sermo de jejunio: PG 31, 163, 98). Dado que todos estamos entorpecidos pelo pecado e pelas suas consequências, o jejum é-nos oferecido como um meio para restabelecer a amizade com o Senhor. Assim fez Esdras antes da viagem de regresso do exílio à Terra Prometida, convidando o povo reunido a jejuar «para nos humilhar – diz – diante do nosso Deus» (8, 21). O Omnipotente ouviu a sua prece e garantiu os seus favores e a sua proteção. O mesmo fizeram os habitantes de Nínive que, sensíveis ao apelo de Jonas ao arrependimento, proclamaram, como testemunho da sua sinceridade, um jejum dizendo: «Quem sabe se Deus não Se arrependerá, e acalmará o ardor da Sua ira, de modo que não pereçamos?» (3, 9). Também então Deus viu as suas obras e os poupou.
Ensinamentos de Jesus e os primeiros cristãos
No Novo Testamento, Jesus ressalta a razão profunda do jejum, condenando a atitude dos fariseus, os quais observaram escrupulosamente as prescrições impostas pela lei, mas o seu coração estava distante de Deus. O verdadeiro jejum, repete também noutras partes o Mestre divino, é antes cumprir a vontade do Pai celeste, o qual «vê no oculto, recompensar-te-á» (Mt 6, 18). Ele próprio dá o exemplo respondendo a satanás, no final dos 40 dias transcorridos no deserto, que «nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus» (Mt 4, 4). O verdadeiro jejum finaliza-se portanto a comer o «verdadeiro alimento», que é fazer a vontade do Pai (cf. Jo 4, 34). Portanto, se Adão desobedeceu ao mandamento do Senhor «de não comer o fruto da árvore da ciência do bem e do mal», com o jejum o fiel deseja submeter-se humildemente a Deus, confiando na sua bondade e misericórdia.
O JEJUM É A ALMA DA ORAÇÃO E A MISERICÓRDIA É A VIDA DO JEJUM.
Encontramos a prática do jejum muito presente na primeira comunidade cristã (cf. Act 13, 3; 14, 22; 27, 21; 2 Cor 6, 5). Também os Padres da Igreja falam da força do jejum, capaz de impedir o pecado, de reprimir os desejos do «velho Adão», e de abrir no coração do crente o caminho para Deus. O jejum é também uma prática frequente e recomendada pelos santos de todas as épocas. Escreve São Pedro Crisólogo: «O jejum é a alma da oração e a misericórdia é a vida do jejum, portanto quem reza jejue. Quem jejua tenha misericórdia. Quem, ao pedir, deseja ser atendido, atenda quem a ele se dirige. Quem quer encontrar aberto em seu benefício o coração de Deus não feche o seu a quem o suplica» (Sermo 43; PL 52, 320.332).
Jejum e cuidado com o corpo
JEJUAR EM PRIMEIRO LUGAR É UMA «TERAPIA» PARA CURAR TUDO O QUE NOS IMPEDE DE NOS CONFORMARMOS COM A VONTADE DE DEUS
Nos nossos dias, a prática do jejum parece ter perdido um pouco do seu valor espiritual e ter adquirido, numa cultura marcada pela busca da satisfação material, o valor de uma medida terapêutica para a cura do próprio corpo. Jejuar sem dúvida é bom para o bem-estar, mas para os fieis é em primeiro lugar uma «terapia» para curar tudo o que os impede de se conformarem com a vontade de Deus.
Na Constituição apostólica Paenitemini de 1966, o Servo de Deus Paulo VI reconhecia a necessidade de colocar o jejum no contexto da chamada de cada cristão a «não viver mais para si mesmo, mas para aquele que o amou e se entregou a si por ele, e... também a viver pelos irmãos» (Cf. Cap. I). A Quaresma poderia ser uma ocasião oportuna para retomar as normas contidas na citada Constituição apostólica, valorizando o significado autêntico e perene desta antiga prática penitencial, que pode ajudar-nos a mortificar o nosso egoísmo e a abrir o coração ao amor de Deus e do próximo, primeiro e máximo mandamento da nova Lei e compêndio de todo o Evangelho (cf. Mt 22, 34-40).
O verdadeiro benefício do jejum
PRIVAR-SE DO SUSTENTO MATERIAL QUE ALIMENTA O CORPO FACILITA UMA ULTERIOR DISPOSIÇÃO PARA OUVIR CRISTO E PARA SE ALIMENTAR DA SUA PALAVRA DE SALVAÇÃO.
A prática fiel do jejum também contribui para conferir unidade à pessoa, corpo e alma, ajudando-a a evitar o pecado e a crescer na intimidade com o Senhor. Santo Agostinho, que conhecia bem as próprias inclinações negativas e as definia «nó complicado e emaranhado» (Confissões, II, 10.18), no seu tratado A utilidade do jejum, escrevia: «Certamente é um suplício que me inflijo, mas para que Ele me perdoe; castigo-me por mim mesmo para que Ele me ajude, para aprazer aos seus olhos, para alcançar o agrado da sua doçura» (Sermo 400, 3, 3: PL 40, 708). Privar-se do sustento material que alimenta o corpo facilita uma ulterior disposição para ouvir Cristo e para se alimentar da sua palavra de salvação. Com o jejum e com a oração permitimos que Ele venha saciar a fome mais profunda que vivemos no nosso íntimo: a fome e a sede de Deus.
Ao mesmo tempo, o jejum ajuda-nos a tomar consciência da situação na qual vivem tantos irmãos nossos. Na sua Primeira Carta São João admoesta: «Aquele que tiver bens deste mundo e vir o seu irmão sofrer necessidade, mas lhe fechar o seu coração, como estará nele o amor de Deus?» (3, 17). Jejuar voluntariamente ajuda-nos a cultivar o estilo do Bom Samaritano, que se inclina e socorre o irmão que sofre (cf. Enc. Deus caritas est, 15). Escolhendo livremente privar-nos de algo para ajudar os outros, mostramos concretamente que o próximo em dificuldade não nos é indiferente. Precisamente para manter viva esta atitude de acolhimento e de atenção para com os irmãos, encorajo as paróquias e todas as outras comunidades a intensificar na Quaresma a prática do jejum pessoal e comunitário, cultivando de igual modo a escuta da Palavra de Deus, a oração e a esmola. Foi este, desde o início o estilo da comunidade cristã, na qual eram feitas colectas especiais (cf. 2 Cor 8-9; Rm 15, 25-27), e os irmãos eram convidados a dar aos pobres quanto, graças ao jejum, tinham poupado (cf. Didascalia Ap., V, 20, 18). Também hoje esta prática deve ser redescoberta e encorajada, sobretudo durante o tempo litúrgico quaresmal.
De quanto disse sobressai com grande clareza que o jejum representa uma prática ascética importante, uma arma espiritual para lutar contra qualquer eventual apego desordenado a nós mesmos. Privar-se voluntariamente do prazer dos alimentos e de outros bens materiais, ajuda o discípulo de Cristo a controlar os apetites da natureza fragilizada pela culpa da origem, cujos efeitos negativos atingem toda a personalidade humana. Exorta oportunamente um antigo hino litúrgico quaresmal: «Utamur ergo parcius, / verbis, cibis et potibus, / somno, iocis et arcitius / perstemus in custodia – Usemos de modo mais sóbrio palavras, alimentos, bebidas, sono e jogos, e permaneçamos mais atentamente vigilantes».
* Artigo elaborado a partir da mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma do ano 2009

http://opusdei.org.br/pt-br/article/porque-jejuar/

quarta-feira, 12 de abril de 2017

JESUS CHOROU

JESUS CHOROU

E tu não quiseste
Antes de entrar em Jerusalém, no primeiro dia da Semana Santa, Jesus, detendo-se na ladeira do monte das Oliveiras, contemplou o espetáculo da Cidade Santa brilhando ao sol do amanhecer. Uma golfada de dor invadiu-lhe a alma, e seus discípulos viram cintilar lágrimas sobre a sua face: “Contemplou Jerusalém – diz São Lucas – e chorou sobre ela” (Lc 19, 41).
Detenhamo-nos sobre essas lágrimas, pois elas nos falam. O Evangelho dá-nos todos os elementos para que possamos saber qual foi a sua causa e a sua significação. É certo que Jesus chorou naquela hora prevendo a destruição de Jerusalém, que no ano 70 seria arrasada pelas milícias romanas de Tito; mas não foi essa destruição – “virão sobre ti dias em que os teus inimigos […] te destruirão a ti e aos teus filhos” (Lc 19, 43-44) – a razão principal das lágrimas de Jesus. É também verdade que Cristo sentiu uma dor profunda pela dureza de coração dos habitantes da Cidade Santa, que o haviam rejeitado e, naquela mesma semana, o arrastariam para a Cruz: “Jerusalém, Jerusalém – dirá dois dias depois, no Templo –, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados” (Mt 23, 37). Contudo, quem lê atentamente o Evangelho vê que também não foi esta a principal causa da sua comoção.
No monte das Oliveiras, olhando para a cidade, Cristo iniciou um pranto que completaria na terça-feira no Templo. Revelou em ambos os momentos a sua dor, pronunciando palavras explícitas. No domingo, ao mesmo tempo que prorrompia em lágrimas, exclamou: “Oh! Se também tu, ao menos neste dia que te é dado, conhecesses o que te pode trazer a paz! Mas não, isto está oculto aos teus olhos” (Lc 19, 42). Na terça-feira, acrescentou: “Jerusalém, Jerusalém […], quantas vezes eu quis reunir os teus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das asas, e tu não quiseste! Eis que a tua casa ficará vazia” (Mt 23, 37-38).
Guardemos bem, do conjunto dessas palavras, três expressões: “Se conhecesses o que te pode trazer a paz”, “quantas vezes eu quis […], e tu não quiseste”, e “a tua casa ficará vazia”; porque nelas se revela a razão dessas lágrimas de Cristo. Por elas compreendemos que Cristo estalou de dor em Jerusalém porque previa antecipadamente outra dor, outra tristeza enorme para a qual muitos homens e mulheres se encaminhavam e se encaminham também hoje cegamente: …”isso está oculto aos teus olhos”.
Jesus sentia doerem-lhe na alma todos aqueles que, iludindo-se a si mesmos, julgam que só poderão alcançar a felicidade defendendo-se de Deus, isto é, esquivando-se à carga amável dos mandamentos de Deus e da sua graça; todos aqueles que se enganam imaginando que é possível realizarem-se à margem da religião, à margem de Deus e contrariando os seus planos. É bem provável que só venham a abrir os olhos quando se lhes tornar evidente, com tristeza amarga, que “a sua casa ficou vazia”.
O egoísmo perturbado
Não há dúvida de que havia muitos com este coração mesquinho em Jerusalém. As páginas do Evangelho apresentam um retrato especialmente vivo dos escribas e fariseus hipócritas (cfr. Mt 23, 13) – e a turba dos seus sequazes –, que se iam opondo num crescendo cada vez mais virulento à pessoa e à doutrina de Cristo, porque chamava à conversão, à autêntica pureza de vida. Tinham começado com insinuações difamatórias – mostrando-se escandalizados porque Jesus comia com os pecadores (cfr. Mt 8, 11) –, prosseguiram discutindo-lhe a doutrina e armando-lhe ciladas com perguntas insidiosas (cfr. Mc 2, 7; Lc 20, 21-22), e terminaram declarando insuportável o seu ensinamento (Jo 6, 60) e proclamando a necessidade de eliminá-lo sumariamente pelo bem do povo (Jo 11, 50).
Que acontecia, na realidade? Que a amorosa doutrina de Jesus, com as suas divinas exigências, lhes perturbava o egoísmo aureolado de religiosidade, a ambição encoberta por aparências de zelo pelas coisas de Deus.
A esses “honestos” avarentos, cobiçosos, orgulhosos e sensuais, Cristo desmontava-lhes o disfarce de honradez com a sua mensagem de sinceridade, pureza, humildade, desprendimento e doação, que era para eles uma bofetada. “Dura é essa doutrina – acabarão por bradar –, quem pode suportá-la?” (Jo 6, 60). E os principais de Jerusalém, irritados com o povo mais simples, que se deixara cativar pelos milagres e pela pregação de Jesus, tentarão desmoralizá-lo, dizendo: “Há acaso alguém entre as autoridades ou dos fariseus que acredite nele? Esse povoléu que não conhece a Lei é amaldiçoado…” (Jo 7, 48).
Não nos defendamos de Deus
À primeira vista, parece incrível, mas é uma grande verdade que muitos homens – agora como então – procuram defender-se do amor de Deus como de um inimigo. Talvez aceitem teoricamente que só no amor puro, que vem de Deus e leva a Deus, se encontram as promessas da plena felicidade. Mas não “acreditam” nisso. Na vida real, procuram a felicidade apenas no prazer egoísta e na auto-exaltação. É uma incoerência, mas é uma realidade. Enganam-se de forma mais ou menos consciente e, por receio de se complicarem com a grandeza dos ideais de Cristo, encerram-se numa cegueira voluntária. Assim, querendo proteger-se contra os sacrifícios que o Ideal comporta, atiram-se à estrada do egoísmo – que parece bem mais garantida – e perdem o caminho do amor, o único capaz de orientar os seus passos para a alegria e para a paz (cf. Lc 1, 79). Muito bem disse deles Cristo: “O que te pode trazer a paz […] está oculto aos teus olhos” (Lc 19, 42).
É uma pena que esses pobres homens fiquem eletrizados pelo seu próprio “eu”, do qual Deus acaba por ser um “rival”. O norte magnético, que neles polariza tudo, é constituído pelo que alguém resumia nos “três esses”: sossego, satisfação, sucesso. Aí estaria o único segredo da felicidade, a chave da alegria! Nesse clima interior de egoísmo glorificado, quando se lhes cruza Cristo pelo caminho da vida, quando deles se aproxima e lhes fala de ideais divinos, de sacrifício alegre, de humildade amorosa, de serviço aos outros…, sentem um arrepio percorrer-lhes a espinha. Apavorados com a perspectiva de perder a vida fácil, bradam: Não! E é por isso que Cristo chora: Não quiseste, não quiseste abrir-te confiadamente Àquele que te podia trazer a paz. Como consequência desse fechamento, virão inevitavelmente os frutos dolorosos do egoísmo, que tarde ou cedo acabam por aparecer e estiolam a alma: “Eis que a tua casa ficará vazia”. A tua vida ficará vazia.
Trecho do livro de F. Faus Lágrimas de Cristo, lágrimas dos homens
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Ano da misericórdia.
Este é o momento favorável para mudar de vida! – diz o Papa Francisco – Este é o tempo de se deixar tocar o coração […]. Permanecer no caminho do mal é fonte apenas de ilusão e tristeza. A verdadeira vida é outra coisa. Deus não se cansa de estender a mão. Está sempre disposto a ouvir […]. Basta acolher o convite à conversão (Bula Misericordiae vultus, sobre o Jubileu da Misericórdia, n. 19).

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